terça-feira, 21 de novembro de 2017

Niterói, RJ

Exéquias: funerais são comuns nas religiões e na democracia

Publicado em 24/09/2016 - 23:11

“Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um”. (Fernando Sabino)

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Por Miranda Sá

As “grandes religiões” se despedem dos seus mortos de maneira diferente, algumas curiosas e extravagantes. No Hinduísmo, a maioria dos hindus é cremada. Se o morto é chefe de família, seu primogênito faz o trajeto segurando a tocha que ateará fogo à pira. As cinzas do morto são espalhadas ao vento ou guardadas no oratório da família. Chorar no ritual não é bem-visto.

De acordo com o Islamismo o enterro ocorre o mais rápido possível; o corpo é perfumado com cânfora e posto no caixão virado à direita com o rosto voltado para Meca.

O Judaísmo promove a higienização do cadáver realizada por não familiares; após o asseio, vestem-no com uma mortalha de algodão ou linho. Os atendentes, pedem em oração perdão ao morto pelo incômodo.

No Cristianismo a cerimônia de sepultamento é simples. Quando o velório não ocorre no cemitério, familiares e amigos carregam o caixão até a cova; mas os católicos fiéis ao clero também encomendam as exéquias.

As exéquias são os funerais da liturgia católica, com a Igreja oferecendo pelos mortos o Sacrifício eucarístico, memorial da Páscoa de Cristo. Como mistério, as exéquias se realizam com o corpo aguardando a vinda do Salvador e a ressurreição dos mortos.

Na confusão que se faz no cenário político brasileiro entre religião e ideologia, acompanhamos as honras fúnebres da seita lulo-petista da falecida presidente Dilma, apeada do cargo pela eutanásia do impeachment.

Uma das homenagens post-mortem de Dilma ocorreram com barulhentos quebra-quebras nas ruas de São Paulo. A liturgia black-blocs se parece com os ritos mortuários xintoístas, muito barulho, chocalhos, campainhas e apitos.

No Rio e em Brasília, assistimos enterros de desvalido, com pouquíssimas presenças e a maioria de pessoas que gozavam da intimidade da ex-autoridade defunta. No Nordeste, além das tradicionais carpideiras pagas para chorar encenando desespero, o culto foi a expressão de bolsistas da morte…

Não ouvi falar de Belo Horizonte e Vitória, mas em Curitiba e Floripa o cerimonial, com pouca gente, lembrou a “Serra da Velha” que acontece tradicionalmente na Quaresma, uma lúdica comitiva que percorre as ruas satirizando pessoas alcoviteiras e faladeiras.

Em Porto Alegre as cerimônias fúnebres de Dilma têm sido continuadas, pouca gente, mas constante no inconformismo com a sua ida e pedindo a sua volta…

A massa do povo brasileiro, que pediu o fim da corrupção e o impeachment nas ruas, vive um carnaval fora de época continuado, mas incompleto. Nessa funérea festividade do sepultamento de Dilma ficou faltando sua punição constitucional como infratora da Lei de Responsabilidade e ainda se carece das exéquias de um partido que se transformou numa organização criminosa.

O fim da imoralidade pública deve ser festejado como em Gana, na África, que no ensinar do grande Câmara Cascudo, a morte é sinônimo de alegria. Assim (e obrigatoriamente), os brasileiros exibem contentamento com a morta-viva Dilma putrefazendo os vírus contagiosos da maldade…

Os lulo-petistas já antecipam o velório do outro zumbi, Lula da Silva, que está na UTI da justiça respirando pelos aparelhos das copiosas provas apresentadas pelo MPF na denúncia ao juiz Sérgio Moro que, considerando-o réu, apressa as redações da imprensa a elaborar o seu epitáfio político.

Resta um consolo aos fanáticos seguidores da estrela da corrupção, o pensamento que Millôr nos deixou: “Do mundo nada se leva. Mas é formidável ter uma porção de coisas a que dizer adeus.”

Fale com Miranda Sá: mirandasa@uol.com.br

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