domingo, 28 de maio de 2017

Niterói, RJ

Carnaval Antigo: Foi um rio que passou em minha vida

Publicado em 03/03/2017 - 13:09

Por Maria Cristina Castilho de Andrade

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Recordo-me, hoje, de meus carnavais de outrora com confete, serpentina, marchinhas e faz-de-conta.

Meus pais eram animados com os festejos do Momo e, creio que por isso, levavam os filhos para a brincadeira, fantasiados de algum personagem infantil da época ou de alguma nacionalidade. Máscaras, bisnagas de água, martelinho com som também compunham o meu folguedo. E lança-perfume não era sinônimo de drogadição.

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Havia música com poesia como de Noel Rosa e Braguinha (1934): “A estrela d’alva no céu desponta (…)./ E as pastorinhas (…) / Vão cantando na rua lindos versos de amor”.

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Brinquei Carnaval, durante cinco noites e duas matinês, na Grêmio CP, dos 13 aos 32 anos. Brincadeira mesmo, de entusiasmo íntegro, sem desvios, sem ritmos de convite à promiscuidade sexual, sem álcool, fumaça ou pó para a euforia. E podia cantar à vontade com minha voz de taquara rachada, pois ela se misturava ao burburinho do salão. Um dia desses, a Pérola Maria Dolce descobriu, no Sebo Jundiaí do Prof. Maurício Ferreira, que faz um trabalho lindo da recuperação da memória de Jundiaí através de imagens, uma foto do carnaval da década de setenta, em que me encontrava fantasiada de cigana, junto com a Maria Inês Guarda Tafarello. Bom de se ver e rever.

No início de 1987, meu pai foi diagnosticado com uma doença grave, que o levou, em 45 dias, nos seus quase 89 anos. Logicamente, a dor da possibilidade de perdê-lo me impediu de estar nos bailes carnavalescos, bem como, por escolha, ser presença maior junto a ele o máximo tempo possível.

Depois disso, embora aprecie os que se encantam com os festejos do Momo, por alegria pura e convívio agradável, excetuando-se aquilo que degrada o ser humano, perdi a vontade. Algumas músicas, bem como confete e serpentina, me acariciam a mente e a emoção. Acompanho, à distância, algumas iniciativas populares, como a dos blocos, dentre os quais destaco e aplaudo o tradicional Refogado do Sandi.

Às vezes, me pergunto por que o carnaval deixou de acelerar o meu passo no compasso de colombina. Penso que, com o impacto da partida de meu pai, se foi o “faz-de-conta” das fantasias que vesti e das marchinhas que me despertaram. Mas da esperança, sem adornos, permaneço.

O carnaval traduzo, hoje com versos de Paulinho da Viola: “Foi um rio que passou na minha vida,/ e meu coração se deixou levar.”

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE –  é Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil

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