quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Niterói, RJ

Cremerj flagra remédios vencidos e falta de médicos em UPAs da Baixada

Publicado em 21/01/2017 - 15:02

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Um relatório do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) indica uma série de problemas em UPAs da Baixada Fluminense e do Estado. O documento indica  médicos e profissionais de enfermagem sobrecarregados, falta de medicamentos e equipamentos quebrados.

As vistorias começaram em setembro de 2016, 16 UPAs foram vistoriadas no Grande Rio, sendo 8 delas na Baixada Fluminense.

“A situação das UPAs na Baixada Fluminense é extremamente preocupante. Temos três UPAs fechadas. Em Jardim Íris, em São João de Meriti; a de Comendador Soares [em Nova Iguaçu] e de Nilópolis. As que estão abertas estão com deficiência de médicos, enfermeiros, falta de segurança, de insumos, de medicamentos, de reposição do material. As condições são extremamente precárias. A população da Baixada não tem muito para onde correr hoje em relação a essas UPAs”, explicou Nelson Nahom, vice-presidente do Cremerj.

A Prefeitura de Nilópolis também se pronunciou e afirmou que a UPA do município não foi fechada. Segundo o órgão, ela foi transferida para o primeiro andar do novo hospital Juscelino Kubitsheck e está funcionando normalmente, 24h. De acordo com a prefeitura, a gestão anterior fechou a UPA pediátrica.

Nahom também destaca  o fechamento de unidades básicas de saúde em Japeri e em Nova Iguaçu. De acordo com o Cremerj, o problema pode fazer com que aconteça uma procura ainda maior das emergências dos hospitais.

Dificuldades no atendimento

Na UPA do Cabuçu, em Nova Iguaçu, a vistoria verificou que não havia médico de rotina. Assim, todos os pacientes eram atendidos pelos médicos plantonistas, aumentando o volume de atendimento e fazendo com que o tempo de espera dos pacientes fosse maior.

O número de enfermeiros e técnicos de enfermagem também era menor do que o necessário, também prejudicando a qualidade do atendimento.

O mesmo problema se repete em outra UPA em Nova Iguaçu, na Estrada de Adrianópolis. Lá, os médicos também atendem mais pacientes por hora do que o recomendado pela portaria 2079/2014 do Conselho Federal de Medicina, que determina que o volume de atendimento não ultrapasse 3 pacientes para cada médico.

Tanto na UPA do Cabuçu quanto na de Adrianópolis, o Cremerj afirma ter constatado a permanência de pacientes internados por mais de 24 horas nas unidades – elas deveriam cuidar somente de atendimentos imediatos. O motivo das internações seria a falta de leitos disponíveis nos hospitais da região.

Os problemas se repetem em outra UPA, na Praça Camarim, em Queimados. De acordo com o relatório do Cremerj, os pacientes que estão internados no local permanecem sem avaliação aos domingos, já que há déficit em plantonistas.

Outro problema encontrado na vistoria foi o que o laboratório credenciado para exames laboratoriais opera somente 12 horas por dia, no período diurno e, ainda assim, de maneira parcial. Na prática, os médicos são obrigados a realizar boa parte dos diagnósticos sem nenhum exame complementar. Os pacientes mais graves têm exames feitos no Hospital da Posse.

Ainda segundo o Cremerj, as UPAs vistoriadas não contam com ambulâncias, o que dificulta remoções de emergência já que ficam estacionadas em outras unidades e, quando solicitadas, chamadas até a unidade que precisa delas. O médico que realiza as remoções com a ambulância é das próprias unidades, o que aumenta ainda mais o problema de falta de médicos até o seu retorno.

Em todas as unidades vistoriadas foram encontradas alguma forma de desabastecimento de medicamentos. Em alguns casos os médicos dispunham de medicamento para uso interno, mas caso prescrevessem para os pacientes, eles não poderiam retirá-los nas farmácias das unidades.

Na UPA de Comandador Soares, em Nova Iguaçu, fechada na última sexta-feira (13), o caso também é grave, como informou o vice-presidente do Cremerj na data.

“Verificamos que a UPA, que tinha 15 mil atendimentos por mês em setembro, estava fechada agora. Tinha só um clínico pediatra e desde outubro ela não está recebendo nenhum medicamento. O estoque estava completamente zerado e não tinha como atender. Só em casos extremamente grave, mas ainda assim sem como atender”, explicou Nelson Nahom.

Nas unidades de Adrianópolis e de Cabuçu, os fiscais do Cremerj encontraram falta de monitores cardíacos, ventiladores mecânicos e respiradores que estavam em manutenção.

Na UPA de Queimados, os aparelhos de ar condicionado não funcionavam ou estavam quebrados. A sala de sutura funciona sem material de higienização. O armário onde os materiais deveriam ser armazenados estava quebrado. Há falta de fios cirúrgicos, principalmente para crianças.

A situação se repete nas imagens da UPA do Parque Lafaiete, em Duque de Caxias (veja vídeo). É possível ver prateleiras e geladeira de medicamentos vazias e consultórios desativados.

O Cremerj também questiona a portaria do Ministério da Saúde que permite aos gestores municipais definir e escolher a capacidade de atendimento das unidades a partir de oito opções de funcionamento operacional, vinculando os repasses de custeio à quantidade de profissionais em atendimento, e não por porte da unidade. O conselho acredita que isso faria com que a população fosse pior atendida, pois menos profissionais estariam disponíveis nas unidades.

Procurado pelo G1, a Prefeitura de São João de Meriti, que administra a UPA de Parque Íris, informou que a UPA da cidade está fechada desde novembro de 2014. Eles afirmaram que sendo feito um esforço para reabrir. O local vai ser limpo e receberá equipamentos. O local vai reaberto como UPA infantil.

A Prefeitura de Duque de Caxias, responsável pela UPA de Parque Lafaiete, informou que pretende melhorar o sistema de saúde do município e que a cidade conta com R$ 400 milhões de dívidas herdadas de gestões passadas e mais de três meses de salários atrasados dos servidores do município. A gestão informou ainda que encontrou a cidade desabastecida de medicamentos e com uma dívida de R$ 14 milhões com a empresa terceirizada responsável por retirar o lixo da cidade. Eles informaram também que já pagaram os salários de janeiro e pretendem amortizar as dívidas e regularizar a situação da rede de saúde do município.

Governo do Estado responde

O G1 questionou o governo do Estado sobre os problemas apontados pelo Cremerj em UPAs sobre sua responsabilidade. A coordenação da Unidade de Pronto Atendimento de Cabuçu informou que não há falta de medicamentos para atendimento aos pacientes dentro da unidade e também não procede a alegação de número de enfermeiros e técnicos de enfermagem abaixo do necessário – segundo a secretaria, o quantitativo de pessoal de enfermagem (quatro enfermeiros e sete técnicos) atende a previsão contratual referente à unidade. A coordenação acrescenta que não há previsão contratual para médico de rotina nas Unidades de Pronto Atendimento. A pasta ainda alegou que todos os pacientes que necessitam de remoção são regulados e transferidos de acordo com suas condições clínicas e liberação de vagas.

A coordenação da UPA de Nova Iguaçu II informou que todos os pacientes que necessitam de remoção são regulados e transferidos de acordo com suas condições clínicas e liberação de vagas, e acrescenta que não há falta de medicamentos para atendimento aos pacientes dentro da unidade. A coordenação negou também a denúncia de descumprimento da portaria 2079/2014. “No mês de dezembro do ano passado, por exemplo, foi realizada uma média de 12 atendimentos por hora, por um corpo clínico formado por oito plantonistas”, disse a nota.

A coordenação da UPA de Queimados afirmou que não procede a denúncia de medicamentos vencidos. Os materiais de higienização e fios cirúrgicos são recebidos semanalmente. A coordenação acrescenta que já foi providenciado o reparo para a gaveta do armário e informa que o quantitativo médico está de acordo com o previsto em contrato.

(Com informação do G1)

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