quinta-feira, 27 de abril de 2017

Niterói, RJ

Acreano conta experiência na Olimpíada do Rio de Janeiro

Publicado em 23/08/2016 - 17:07

 

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O jornalista e funcionário público do Acre Elias Marçal não resistiu às primeiras imagens dos jogos olímpicos, deixou tudo em Cruzeiro do Sul, segundo maior município do estado, e partiu para o Rio de Janeiro.

Antes de percorrer aproximadamente 4.500 quilômetros de volta para casa, Elias contou ao jornal Niterói Urgente como foi passar quase duas semanas em uma cidade com mais de 7 milhões de habitantes (1 milhão só de turistas).

No Rio, ele assistiu várias lutas, viu a semifinal do futebol feminino e esteve no Maracanã quando o futebol masculino conquistou a tão sonhada medalha olímpica de ouro. Mais que isso, viu o goleiro Weverton desfilando com a bandeira do Acre no Maracanã, algo impensável até a contusão do goleiro titular da seleção, Fernando Prass.

Enfim, muito se comenta sobre o legado dos jogos olímpicos para a população Rio de Janeiro, mas que legado o Rio de Janeiro deixa para o turista do Acre?

Veja entrevista na íntegra

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Como foi o planejamento para vir ao Rio?

Decidi vir pela empolgação, pela emoção. Sempre sonhei em assistir a uma Olimpíada, mas a situação financeira estava muito ruim, me impossibilitando de me programar para assistir aos jogos. Mas quando eles começaram, quando vi a empolgação das pessoas que aqui estavam e percebendo que estava perdendo a maior oportunidade de ver de perto uma Olimpíada em meu país, ai não pensei em mais nada, fui ao banco e fiz um empréstimo para custear as despesas, comprei as passagens no cartão de crédito, fiz as malas e parti.

Que jogos assistiu?

Tive o privilégio de assistir a semifinal da seleção feminina entre Brasil e Suécia, quando elas infelizmente foram eliminadas. Também assisti o voleibol feminino entre Brasil e China, diversas lutas de tae-kwon-do. Mas o jogo mais emocionante e marcante para mim foi a final do futebol masculino entre Brasil e Alemanha.

Torceu muito para as meninas do futebol, durante a semifinal, no Maracanã?

Nossa, torci demais. Foi meu primeiro jogo nesta olímpiada. Quando ouvi o hino nacional tocar e elas todas perfiladas pra partida me emocionei. Sempre fui muito fã do futebol de todas elas, acompanho de longas datas todas as competições em que elas estão. Infelizmente na tarde daquela terça-feira fomos eliminados, jogamos melhor e éramos favoritos, mas na loteria dos pênaltis não tem essa.

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Você viu um conterrâneo, o goleiro Weverton, se consagrar como herói olímpico no Maracanã. Que análise você faz sobre isso?

Sim, vi meu conterrâneo pegar o quarto pênalti batido pelo jogador alemão. A  emoção foi a mil. É importantíssimo para nós que muitas vezes somos motivos de brincadeiras quando dizem “que o acre existe” e hoje não só podemos dizer que ele  existe, e que foi seu filho Weverton quem proporcionou uma das maiores emoções já vivida pelo povo brasileiro. Isso nos leva a um nível mais alto, de destaque de existência, de percepção nacional e até internacional, agora o nome do nosso querido estado está registrado na história olímpica.

Qual foi sua maior emoção nessa viagem?

Conhecer o Rio para mim foi emocionante, maravilhoso, assistir as meninas jogarem, sentir o espírito olímpico pelas ruas do Rio. Tudo isso me trouxe grandes emoções, mas nada se compara a emoção que tive ao ver o Maracanã lotado gritando em uma só voz “é campeão, é campeão”. Nossa, é uma emoção indescritível, só sentindo para saber a real sensação que é ver sua seleção sendo campeã olímpica pela primeira vez, despois de muitas tentativas. Outra emoção bastante forte foi ver meu conterrâneo, o goleiro Weverton, agitar a bandeira de nosso estado do Acre no momento da conquista. Eu me senti orgulhoso por esta ali e ver que ele, em seu auge na carreira, fez questão de mostrar de onde veio, sem ter vergonha ou receio. Aí a conquista foi completa, emoção que nunca irei esquecer. Esta estará guardada em minha memória para sempre.

Que significado você acha que essa Olimpíada e essa viagem terão em sua vida?

Olha, aprendi muito com essa viagem. Consegui desfazer medos e até despertar novos desejos para minha vida. E não é exagero algum falar assim, tinha medo de andar sozinho na “cidade grande” e ao poucos perdi o medo. Botei o “pé na estrada” e fui ser feliz. Também me despertou a necessidade e o desejo de falar outras línguas, pois percebi que elas abrem novas oportunidades em vários sentidos, não somente econômica, mas é o máximo para fazer novas amizades. Amei a receptividade dos cariocas, descobri que podemos vencer nossos medos e ir onde quisermos. Enfim, tudo que aprendi não serviu somente para o momento, mas para uma vida inteira.

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