quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Niterói, RJ

Casos de microcefalia saltam de 404 para 462 em 10 dias

Publicado em 15/02/2016 - 10:46

0 - MICROCEFALIA

O número de casos confirmados de microcefalia no Brasil aumentou de 404 para 462 nos últimos 10 dias, segundo o novo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde ontem. Os números se referem ao período de 22 de outubro de 2015 a 6 de fevereiro deste ano, e incluem “outras alterações do sistema nervoso central”, além da microcefalia.

Siga-nos no Facebook e no Twitter

Já foram notificados 91 óbitos de bebês com microcefalia, o que inclui morte pós-parto e aborto espontâneo. Desses, 24 foram investigados e confirmados e oito foram descartados. Outros 59 estão sob análise. Ao todo, nesse período, 5.079 casos suspeitos da malformação foram notificados ao Ministério da Saúde. Pernambuco é o Estado com o maior número de casos confirmados com infecção por zika (33), seguido do Rio Grande do Norte (4) e Paraíba (2).

Vacina

Num esforço global, pelo menos 15 laboratórios no mundo trabalham hoje para o desenvolvimento de uma vacina contra o zika vírus, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), que, no entanto, prevê que ensaios clínicos só ocorram dentro de um ano e meio.

A OMS declarou, no início do mês, emergência de saúde internacional devido à possível relação entre os casos de microcefalia em recém-nascidos registrados no Brasil com o vírus Zika, apesar de declarar que esta ligação ainda não foi provada cientificamente. Transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, o Brasil é o país mais atingido no mundo pela epidemia de zika, com três mortes, em adultos, confirmadas.

Duas destas vacinas parecem promissoras: uma desenvolvida pelo Instituto Nacional de Saúde (INH) dos Estados Unidos e outra pelo laboratório indiano Bharat Biotech, explicou Marie-Paule Kieny. “Apesar deste cenário encorajador, não ocorreram testes em grande escala de vacinas antes deste período”, advertiu.

A OMS anunciou também que saberá  também, em algumas semanas, se o zika vírus provoca microcefalia e a síndrome de Guillain-Barré. A doutora Kieny também disse que os especialistas ainda precisarão de quatro a oito semanas para estabelecer o papel que o zika vírus desempenha no surgimento destas doenças. Transmitido por um mosquito e causador de uma grande epidemia na América Latina, o zika vírus provoca na maioria dos casos sintomas gripais benignos, como febre, dores de cabeça e manchas na pele.

Reforço permanente

Neste sábado, acontece o Dia Nacional de Mobilização para o Combate ao Aedes aegypti. Cerca de 220 mil militares foram deslocados para a ação promovida pelo governo federal. Eles vão acompanhar os agentes de saúde no trabalho de conscientização, de casa em casa, para mobilizar famílias no combate ao mosquito. Três milhões de famílias deverão ser visitadas em casa, em 350 municípios. As cidades escolhidas foram aquelas com a presença de unidades militares e aquelas com maior incidência do mosquito, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Após a mobilização de hoje, na próxima etapa, entre 15 e 18 de fevereiro, 50 mil militares das Forças Armadas farão visitas, em ação coordenada com o Ministério da Saúde e autoridades locais, para inspecionar possíveis focos de proliferação nas casas e, se for o caso, aplicar larvicida. A última etapa será em parceria com o Ministério da Educação, com visitas às escolas e conscientização das crianças e adolescentes sobre formas de evitar a multiplicação do mosquito transmissor.

Esforço para as Olimpíadas

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou ontem que existe exagero ao dizer que o zika vírus é específico do Rio e que a gripe faz mais vítimas que a doença, durante visita às obras de adequação do Parque Aquático Maria Lenk, na Zona Oeste do Rio. “Temos que tratar o problema, mas não podemos transformar em um tema olímpico. Não é um tema olímpico. Isso é um tema nosso, de nós, brasileiros e da cidade do Rio de Janeiro”, disse o prefeito. Paes reiterou ainda que o período dos Jogos – julho e agosto – não é favorável à procriação do mosquito transmissor de zika, dengue e chikungunya.

“O período das Olimpíadas é o período que o mosquito transmissor não está procriando, não está no ambiente. O mês de agosto e o mês de julho são meses mais secos. São meses menos quentes, então você tem menos incidência do mosquito transmissor. Cabe a gente tomar as precauções devidas, mostrar que a gente está fazendo de tudo para evitar o perigo de qualquer atleta ou visitante que venha ao Rio tenha esse problema com o vírus da zika. Eu acho um certo exagero. Morre muito mais gente de gripe todo ano do que por dengue, que dirá o vírus da zika. Eu não estou querendo minimizar, eu acho que a gente tem que lidar com o problema, mas acho que há um certo exagero no momento”, disse Paes.

Veja também

Deixe o seu comentário

PUBLICIDADE