sexta-feira, 21 de julho de 2017

Niterói, RJ

RJ pode ter surto de febre amarela causada pelo Aedes, diz especialista

Publicado em 07/02/2017 - 17:18

Especialistas ouvidos pelo jornal O DIA explicam que, mesmo sem se manifestar desde a década de 40, forma urbana da doença causada pelo Aedes aegypti é um perigo.

0 - febre-amarela

As autoridades públicas têm se esforçado para tranquilizar cariocas e fluminenses sobre o risco de surto da febre amarela no Rio. A Secretaria Estadual de Saúde garante que a chegada do vírus da doença ao território fluminense é “pouco provável”. Mas especialistas de referência na área contestam a suposta segurança: segundo eles, embora nenhum caso tenha sido registrado recentemente no estado, a ameaça, apesar de remota, existe. E requer cuidados pessoais.

Há dois tipos de contágio da febre amarela. Ambos são causados pelo mesmo vírus, mas se diferem pelo vetor de transmissão. A Secretaria de Saúde afirma que a forma urbana, transmitida pelo Aedes Aegypti — também responsável pela dengue, zika e chicungunha — não existe no Brasil desde os anos 40. Já a silvestre é disseminada por mosquitos que vivem em matas. O órgão espera que, com a vacinação distribuída para 16 municípios vizinhos a Minas Gerais e ao Espírito Santo, será criado um “cinturão” contra a entrada do vírus no Rio.

“Acho que um surto imediato não vai haver. Mas, como o Aedes aegypti é um vetor que já existe em cidades, fica difícil afirmar que não há essa possibilidade de médio a longo prazos (de a doença chegar ao Rio)”, avalia o infectologista Paulo César Guimarães, diretor da Faculdade de Medicina de Petrópolis. “Basta que alguém se contamine em uma cidade próxima. Se um mosquito picar essa pessoa e depois entrar em outra cidade, pode levar a doença para outros indivíduos que não estavam contaminados”, explica.

Risco de morte

O infectologista Edmilson Migowski concorda que, em se tratando de Brasil, país tropical, “o risco sempre existe”. Entretanto, aprova o modelo de prevenção adotado no Rio. De acordo com ele, a vacina contra febre amarela é bastante eficaz, mas pode acabar originando a doença em uma a cada 500 mil pessoas vacinadas, e até levar à morte.

Pelas contas de Migowski, se toda a população fluminense recebesse a vacina, cerca de 30 pessoas correriam esse risco. “A vacina é feita com vírus vivo atenuado. Embora boa parte dos imunizados não tenha nenhum problema, pessoas com mais de 60 anos nunca vacinadas antes, ao receber a primeira dose, podem desenvolver a doença”, alerta.

Migowski defende que a vacina só deve ser oferecida em ampla escala no Rio se houver registro de infecção em moradores que não viajaram. Já nas cidades onde há surto, segundo ele, o risco de complicação é maior para quem não se imuniza.

Olhos podem ficar amarelos

0 - infografico-febreamarela-odiaSegundo a Sociedade Brasileira de Infectologia, a maioria dos infectados não apresenta sintomas. Quando aparecem, ocorre febre baixa, dores musculares, de cabeça e nas articulações, náuseas, vômito e fraqueza. Em casos mais graves, pode haver comprometimento do fígado e rins, amarelidão dos olhos e da pele e vômitos com sangue.

Embora a forma mais eficaz de prevenção seja a vacina, o risco de infecção é maior para pessoas com mais de 60 anos, imunodeprimidos e transplantados, que não podem se vacinar. Outras formas de prevenção: usar repelentes, ficar em lugares fechados com ar-condicionado, dormir com mosquiteiros, evitar matas, vestir roupas compridas e não deixar água parada.

Municípios receberam 250 mil doses

A Secretaria Estadual de Saúde enviou 250 mil doses da vacina para 16 cidades localizadas nas divisas com Minas e Espírito Santo. As prefeituras de Cantagalo, Carmo, Comendador Levy Gasparian, Bom Jesus do Itabapoana, Laje do Muriaé, Miracema, Natividade, Porciúncula, Santo Antônio de Pádua e Varre-Sai estão vacinando a população com idades entre 9 meses e 60 anos, obedecendo aos critérios e contraindicações. Os municípios de Campos dos Goytacazes, São Francisco de Itabapoana, Itaperuna, Sapucaia, Três Rios e Paraíba do Sul terão localidades específicas para imunização.

Segundo o órgão, devem ser vacinados os habitantes desses municípios com idades a partir dos 9 meses até os 60 anos. O calendário da campanha é definido pelas secretarias municipais de saúde. A recomendação é para que a imunização seja realizada em até seis etapas, por faixa etária, até 10 de março.

Nas demais cidades, devem buscar os postos de saúde pessoas que estiverem com viagens programadas para áreas do país com recomendação de vacinação, mas é preciso tomar a vacina com pelo menos dez dias de antecedência. Há contraindicação para gestantes, lactantes, pessoas com alergia a algum componente e alergia a ovos e derivado, indivíduos com doença febril aguda, com comprometimento do estado geral de saúde e imunodeprimidos, entre outros grupos.

Com informação de Gustavo Ribeiro / Infográfico de O Dia

Veja também

Deixe o seu comentário

PUBLICIDADE