sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Niterói, RJ

Omeprazol dobra risco de câncer no estômago

Publicado em 07/11/2017 - 14:09

Estudo com mais de 60 mil voluntários associou o consumo prolongado do antiácido ao desenvolvimento de tumores

Usuários de compostos químicos chamados PPIs – que são o princípio ativo de boa parte dos remédios que combatem gastrite, refluxo e úlceras, como o omeprazol – têm 2,4 vezes mais chances de desenvolver câncer no estômago. A descoberta está em um artigo científico publicado na última terça (31) por pesquisadores da Universidade de Hong Kong.

Os inibidores da bomba de prótons (significado da sigla “PPI” em inglês) atuam diminuindo a produção de ácido pelas paredes do estômago. Estima-se que 40% da população adulta sofra ou tenha sofrido com refluxo gastroesofágico – ou seja, azia – em algum ponto da vida, o que tornou o omeprazol um best seller: no final da década de 1990, era o medicamento mais vendido do mundo.

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Por causa do sucesso de público e crítica, ele também foi alvo de muita investigação científica. Seu consumo por períodos prolongados já havia sido associado ao câncer em artigos científicos mais antigos, mas um detalhe impedia os pesquisadores de bater o martelo: uma bactéria, de nome científico Helicobacter pylori, que habita o estômago e poderia ser tão culpada quanto a droga por incentivar o aparecimento de tumores.

Para evitar essa variável traiçoeira, o médico Ka Shing Cheung e sua equipe analisaram a evolução do estado clínico de 63,4 mil cidadãos de Hong Kong. Todos eles receberam prescrições para uso prolongado de antiácido entre 2003 e 2012, e também tomaram antibióticos para eliminar a H. pylori. Uma parte do grupo usou drogas PPI, como o omeprazol. Outra parte consumiu anti-histamínicos H2, uma família de medicamentos que são menos eficazes, mas têm a mesma função. Ao final do estudo, 153 pessoas tinham desenvolvido câncer no estômago.

Em resumo, era a situação perfeita. A bactéria estava fora da jogada, sem poder influenciar o resultado. E uma parcela dos pacientes não usou omeprazol, o que permitiu comparar seus efeitos colaterais com os de drogas com outros princípios ativos – revelando, assim, o que só os PPIs eram capazes de causar.

Fonte: Super Interessante

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